G. Aguiar, escritora malhadense, faz sucesso escrevendo para o público infantojuvenil - Acervo Malhada dos Bois

domingo, 18 de setembro de 2016

G. Aguiar, escritora malhadense, faz sucesso escrevendo para o público infantojuvenil

Jeane Caldas Hora (foto), de 46 anos, ou G. Aguiar, pseudônimo que usa para assinar suas obras, é natural de Malhada dos Bois – SE. Ela é professora, escritora, ilustradora, graduada em letras inglês e pós-graduada em didática do ensino superior, literatura portuguesa e brasileira. Atualmente, a malhadense é um dos maiores destaques da literatura sergipana.

Muito simpática, G. Aguiar concedeu entrevista ao blog Estou em Alta

Estou em alta - Quando nasceu a paixão pelo mundo da literatura?

G. Aguiar - A paixão pela literatura surgiu quando folheei um livro chamado “Barquinho Amarelo”. Acho que tinha 5 anos por aí... Ao transitar pelas páginas coloridas e aquareladas, compreendi que podia sonhar e viajar por meio da leitura. Eu nem sabia formar sílabas ou palavras naquela época, mas soube imaginar uma linda história.

EEA - Porque assina suas obras com o pseudônimo G. Aguiar? Seria uma decisão baseada na numerologia ou outra pseudociência?

GA - Foi uma decisão baseada em orientação numerológica, pois meu segundo número do destino é 7. Então, eu precisava encontrar um nome artístico com 7 letras. E assim nasceu G. Aguiar.

EEA – A educação infantil é a primeira etapa da educação básica e tem como finalidade principal, segundo a LDB "o desenvolvimento da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos corpo humano, psicólogo, intelecto e social”. No entanto, estudos apontam que esta fase usa métodos pouco eficazes no nosso país.  Qual caminho seguiria para mudar essa realidade?

GA - Vários fatores podem contribuir, significativamente, com a Educação Infantil em nosso país. Por exemplo: um novo olhar por parte da família no processo de ensino-aprendizagem da criança, ou seja, maior integração entre família e escola; redução de números de alunos por turma em salas de aula (10 a 15 crianças por turma); abordagem de concepções sócio-interacionistas, socioconstrutivistas ou através da perspectiva da alfabetização e letramento. O ideal seria algo que fundamentasse a aprendizagem nos pilares da afetividade, do brincar, da interação social, construção do conhecimento, das práticas sociais de leitura e escrita. Penso que por aí.

EEA – Por que escolheu escrever para o público infantojuvenil?

GA - Escolhi escrever literatura infantojuvenil, porque existe uma criança sapeca dentro de mim. Obviamente, ela precisa extravasar por alguma fenda. Já pensou essa criança reprimida aqui dentro?

EEA – No seu primeiro livro infantojuvenil, “A Menina dos Livros”, conta a história de uma garota leitora que não saía da biblioteca municipal, lendo, sonhando e escrevendo. Assim, quando cresceu, ela se transformou em uma maravilhosa escritora. A história da protagonista do livro reflete a sua infância?

AG - A obra “A Menina dos Livros” é autobiográfica. E sou a menina dos livros que lia e relia o tempo inteiro na Biblioteca Municipal de Malhada dos Bois.

EEA – Em 2009, lançou o livro "Zé Peixe, o menino do mar", que conta de forma lúdica a vida do prático sergipano José Martins Ribeiro e, em breve, lançará outra obra baseada na vida de Maria Feliciana, que já foi considerada a mulher mais alta do Brasil. Como surgiu a ideia de transformar essas figuras marcantes do nosso estado em livro?

AG - A idéia de transformar a trajetória de vida do Zé Peixe em livro não foi minha, mas do comandante argentino da Marinha Mercante, Carlos Rene Mateos. O convite partiu dele. Ele é responsável por minha entrada na literatura infantil. Sou muito grata por isso.

Infelizmente não consegui publicar o livro “A Rainha Feliciana”. É uma pena. Pois trata de uma narrativa poética fascinante que remonta aspectos da cultura popular nas décadas de 60, 70 e 80 por todo o Brasil - apresentações circenses, programas de rádio, programas de televisão, duplas sertanejas, personagens inesquecíveis como o Chacrinha, o Grande Otelo, o Josa, o Vaqueiro do Sertão, o Palhaço Biroco, dentre outros personagens.

O Homem-Livro é outra história que está guardada na gaveta faz algum tempo. O livro conta a trajetória de Evando Santos, um pedreiro sergipano, que mora no Rio de Janeiro, montou uma biblioteca comunitária na zona norte do Rio e sai de cidade em cidade distribuindo livros gratuitamente. Mas quem sabe um dia essa história não sai da gaveta, não é mesmo? Vamos torcer.

A história do Homem-Livro tem como cenários, o Colégio Tobias Barreto de Menezes e o Calçadão da Rua João Pessoa, em Aracaju.

Infelizmente moro em Sergipe, um estado que não conseguiu visualizar o valor da literatura nem suas riquezas culturais. Enquanto isso, vou trilhando meu caminho, correndo em buscas de publicações em editoras de outros estados do Brasil. É uma maratona árdua, mas a vida é isso: “uma constante luta”. Vamos embora.

EEA – Qual outro ilustre sergipano gostaria de transmutar sua história em livro?

AG - Atualmente não penso em escrever sobre outro personagem sergipano. Ando meio decepcionada e tenho medo que ele fique dormindo eternamente em uma gaveta. (Risos)

EEA – Em uma das suas entrevistas, você citou que na adolescência recebeu o apelido de Janete Clair (autora mais prestigiada de telenovelas do Brasil). Tal referência incutiria o desejo de desenvolver algum trabalho na TV?

GA - Aos 14 anos, formamos um grupo de teatro em Malhada dos Bois. Eu criei um texto novelístico para ser dramatizado. Participavam desse grupo: Ciene de dona Dominice, a falecida Maria do Sr. Bibi, Walter Barbosa, Nilza do Sr. Raimundo, Ana Cristina, José Ricardo, Vânia do Sr. Walfrido, dentre outros adolescentes. Daí, Pretinho (Gustavo Palmeira) começou a me chamar de Janete Clair. Acho que ele não se lembra mais disso (risos).

EEA – Escrever livros voltados para o público adulto está nos seus planos?

GA - Sim, tenho dois romances iniciados para o público adulto. Não faço ideia de quando finalizo.

EEA – Sua família descende dos fundadores de Malhada dos Bois; sua irmã, Maria Eunice Hora, escreveu a monografia fundamentada na história da cidade. Já pensou em romancear a história malhadense?

GA - Nunca pensei em romancear a história de Malhada dos Bois. No entanto, na época da faculdade, iniciei um romance que margeava alguns cenários de Malhada e cidades circunvizinhas. Mas esse material acabou perdendo-se com minha mudança para Aracaju.

Lembro-me que focava os prostíbulos de Cruz da Donzela, as enchentes do Rio São Francisco, em Propriá e as casas de forró em Alagoas. Os personagens e as tramas permanecem em minha memória. Quem sabe depois de aposentada da sala de aula, eu não possa retomá-lo? Quem sabe?

Raio X

- Qual é sua maior qualidade? Acreditar que o sol nasce para todos.

- E seu maior defeito? Sou muito crítica.

- O que você mais aprecia em seus amigos? Solidariedade nos momentos difíceis.

- Sua atividade favorita é: ler e escrever.

- Quem você gostaria de ser se não fosse você mesmo? Gostaria de ser Jesus Cristo para aprender mais amar e perdoar.

- Qual é sua viagem preferida? Lugares onde tenha castelos, museus e artesanato popular, galerias de arte e feiras de livros.

- Quais são seus autores preferidos? Mia Couto, Ana Maria Machado, Machado de Assis, Markus Zusak, Andrea del Fuego, Florbela Espanca,  Flávio de Souza e Fernando Pessoa.

- E seus cantores? Mozart, Bach, Beethoven, Gal Costa e Alcione.

- O que você mais detesta? Injustiça.

- Qual é o lema de sua vida? Viver intensamente a literatura e a escrita.

- Momento preferido do dia: Noite.

- Uma mania: Colecionar bonecas, xícaras e chapéus.

- Gasta muito com: livros, cinema, concertos musicais e espetáculos de teatro.

- Um sonho de consumo não realizado: Conhecer o Taj-Mahal, na Índia.

- Uma lembrança de infância: Uma boneca de barro que inspirou o meu quarto livro chamado “Mozart o gênio que não era da lâmpada”.

- Em que ocasiões você mente? Às vezes minto, para defender alguém que se encontra em grande enrascada.

- Uma vaidade: Comprar joias e roupas exóticas.

- O que a irrita? Irrita-me alguém não entender que eu estabeleci limites. Fico furiosa. Não queira me ver furiosa, por favor!

- O que você considera a sua maior conquista? Minha maior conquista foi vender a obra “A Menina dos Livros” para o Estado de São Paulo. Foi uma vitória singular em minha vida, pois não tive indicação ou empurrão de ninguém. Minha obra foi adotada por lá, porque conseguiram enxergar valor literário nela.

Isso é bastante significativo para uma escritora nordestina e iniciante como eu. Confesso que vibrei de alegria por duas vezes. Em 2011, quando a Editora Roda e Cia vendeu os livros para a capital de São Paulo e no início de 2014, quando recebi meus livros com os selinhos do Estado de São Paulo e uma cartinha da editora, comunicando o fato.

Só tenho a agradecer a Deus por essa bênção e pedir que cada dia, ele me dê mais sabedoria e humildade para eu continuar escrevendo muitas e muitas histórias.

- Qual foi a maior tristeza de sua vida? Perder meus pais.

- Defina-se em uma palavra: Determinada.

- Uma mensagem para nossos leitores: Quando a leitura parecer enfadonha, mude a página, talvez o próximo capítulo seja mais interessante. Quem sabe?

Se você sonha, também, em ser escritor. Então, comece a embriagar-se com uma boa literatura. Tenha coragem, tire os escritos da gaveta e mostre para um leitor crítico e experiente. Esteja sempre aberto às sugestões do outro e exercite sem cessar a competência escrita, porque escrever é uma arte e exige muita técnica. Sucesso!

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